Os primeiros laboratórios psicológicos
Um intenso trânsito de relações micropolíticas no interior de um espaço neutro
Palabras clave:
Laboratórios psicológicos brasileiros, História da psicologia, pedagogia, anAnálise política, estudos CTSResumen
Desde o trabalho clássico de Boring (A História da Psicologia Experimental), tem havido uma forte tendência a se considerar a criação de laboratórios como marcos históricos, que distinguem o passado científico do pré-científico. Nesta história tradicional de psicologia, os laboratórios funcionam como um espaço neutro de legitimação e demarcação. Poucos estudos históricos tradicionais descrevem o surgimento desses laboratórios em conexão com aspectos políticos. Em outra perspectiva, os Estudos em Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) propõem um novo estilo de análise: de acordo com o princípio da simetria, onde os aspectos científicos e tecnológicos estão completamente interligados com as práticas sociais. Com apoio no princípio de simetria, este artigo tenta explorar as conexões entre práticas e historiografias tradicionalmente separadas: os primeiros laboratórios em países latino-americanos eram locais para medições escolares e psiquiátricas. O objetivo deste trabalho não é denunciar o laboratório como um simples artefato ideológico, mas compreender as conexões mundiais produzidas de modo micropolítico e prestar atenção a vetores desta natureza.
Citas
A Noticia, (1896) Rio de Janeiro, 9 mai, p.2. Disponível em: <http://hemerotecadigital.bn.br/>.
ALVARENGA FONSECA. (1899) Collecção de leis municipaes e vetos de 1898. Rio de Janeiro: Typ. do Jornal do Commercio, de Rodrigues & Comp. Disponível em: <http://hemerotecadigital.bn.br/>.
ANTUNES, M.A.M. (2012) A psicologia no Brasil: leitura histórica sobre sua constituição.. São Paulo: Educ.
BLOOR, D. (1976) Knowledge and Social Imagery. Chicago, University of Chicago Press.
BOMFIM. M. (1904) O facto psychico: objecto da psychologia. Rio de Janeiro: Laemmert & C.
BOMFIM. M. (1928) Noções de psychologia. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves.
BORING, E. G. (1950) A History of Experimental Psicology. Nueva York: Appleton – Century – Crofts.
BOULITTE, G. (1928) Establissements G.Boulitte. Catalogue A. Paris.
CENTOFANTI, R. (1982) Radecki e a psicologia no Brasil. Psicologia: Ciência e Profissão, v.3, n.1.
CENTOFANTI, R. (2006) Os laboratórios de psicologia nas escolas normais de São Paulo: o despertar da psicometria. Psicol. educ., n.22, p.31-52.
CENTOFANTI, R. (2014) O livro dos cem anos do Laboratório de Psicologia Experimental da Escola Normal Secundária de São Paulo: 1914-2014. São Paulo.
CLAPARÈDE, E. (1940) Psicologia da criança e pedagogia experimental: introdução, histórico, problemas, métodos, desenvolvimento mental. 2.ed. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves.
CONSELHO municipal. (1893) O Tempo, Rio de Janeiro, 3 mar., p.1. Disponível em: <http://hemerotecadigital.bn.br/>
DESPRET, V. (1999) Ces émotions que nous fabriquent. Etnopsychologie de l’authenticité. Le Plessis-Robinson: Synthélabo.
DESPRET, V (2004) Le cheval qui savait compter. Paris: Les Empecheurs de Penser en Ronde.
DESPRET, V. (2011). Os dispositivos experimentais. In: Dôssie Despret. Fractal: Revista de Psicologia, Niterói, UFF, v. 23, n. 1, p. 5-82, jan./abr.
FARIAS BRITO, R. A (1912) base physica do espirito: historia summaria do problema da mentalidade como preparação para o estudo da philosophia do espirito. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves.
FERREIRA, A. (2012) Jamás hemos sido ingenuos (O dócil sí, pero ingenuo jamás): un estudio sobre la constitución del sujeto ingenuo en los laboratorios psicológicos In: Teoría del Actor-Red: más allá de los estudios de ciencia y tecnología. pp. 283-300. Barcelona : Amentia.
GALLEGOS, M. (2018) La institucionalización del saber psicológico en América Latina (1900-1940): un estudio comparado de sus condiciones intra y extra disciplinarias. Tese defendida no Programa de Pós-Graduação em Educação.
GOODWIN, C. J. (2010) História da psicologia moderna. 4.ed. São Paulo: Cultrix, 2010.
INSTRUCÇÃO municipal (1902) Correio da Manha, Rio de Janeiro, 25 nov, p.2. Disponível em: <http://hemerotecadigital.bn.br/>.
KNORR-CETINA, K. (1981). The Manufacture of Knowledge. An Essay on the Constructivist and Contextual Nature of Science. Oxford, Pergamon Press. KUHLMANN, M. (2013) O Pedagogium: sua criação e finalidades. In: MIGNOT, A.C.V. (Org.). Pedagogium: símbolo da modernidade educacional republicana. Rio de Janeiro: Quartet:FAPERJ, p.25-42.
LATOUR, B. (1987) Science in Action: How to Follow Scientists and Engineers through Society, Cambridge: Harvard University Press, 1987.
LATOUR, B.(1999) Pandora's Hope. Essays on the Reality of Science Studies. Cambridge: Harvard University Press.
LATOUR, B. (2004) How to talk about the body. Body & Society, v. 10, n. 2-3, p. 205-229.
LATOUR, B. (2005).Reassembling the social: An Introduction to Actor-Network Theory. Oxford: Oxford University Press.
LATOUR, B. & WOOlGAR, S. (1979) Laboratory Life. Princeton University Press.
LAW, John. (2004).After Method. New York: Routledge.
LYNCH, M. (1993) Scientific practice and ordinary action: ethnomethodology and social studies of science. Cambridge England New York: Cambridge University Press.
MAGALHÃES, A.F. (1927) Noções de pedologia. Bahia: A Nova Graphica.
MAGALHÃES, B. (1913) Tratamento e educação das creanças anormaes de intelligencia. Rio de Janeiro: Typ. do Jornal do Commercio de Rodrigues & C.
MAGALHÃES, B. A educação da infancia normal e das creanças mentalmente atrasadas na america latina. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional.
MASSIMI, M. (1990) História da psicologia brasileira: da época colonial até 1934. São Paulo: EPU.
MONARCHA, Carlos. (2007) Sobre Clemente Quaglio (1872-1948): notas de pesquisa Patrono da Cadeira nº 31 "Clemente Quaglio" Bol. - Acad. Paul. Psicol., vol. 27, n. 2, p. 25-34.
MONCORVO FILHO, C.A. (1926) Historico da protecção á infancia no Brasil 1500-1922,. Rio de Janeiro: Empreza Graphica Editora Paulo, Pongetti & Cia.
PINHEIRAL, R. (2011) Pedagogium. In: JACÓ-VILELA, A.M. (Org.). Dicionário histórico de instituições de psicologia no Brasil. Rio de Janeiro: Imago; Brasília: CFP, p.375-376.
O dr. Barbosa Lima. (1903) A Noticia, Rio de Janeiro, 31 dez. p.2. Disponível em: <http://hemerotecadigital.bn.br/>.
PATTO, M.H.S. (1999) Ciência e política na Primeira República: origens da psicologia escolar. In: JACÓ-VILELA, A.M.; JABUR, F.; RODRIGUES, H.B.C. (Orgs.). Clio-psyché: histórias da psicologia no Brasil. Rio de Janeiro: UERJ,NAPE, p.317-349.
PIÈRON, H. (1966) Dicionário de psicologia. Rio de Janeiro: Editora Globo.
PORTUGAL, F.T. (2010) Psicologia e história no pensamento social de Manoel Bomfim. Estudos e Pesquisas em Psicologia, vol.10, n.2, p. 596-612.
QUAGLIO, C. (1921) Estudos de psychologia experimental e pedagogica. São Paulo.
SCHULTZ. D.P.; SCHULTZ, S. E. (2014) História da psicologia moderna. 10.ed. São Paulo: Cengage Learning.
STENGERS, I. (1989). Quem tem medo da ciência?São Paulo: Siciliano.
STENGERS, I. (1992). La volonté de faire Science. Les empêcheurs de penser em rond.
VIEIRA DE MELO, B (1917). Escolas ao ar livre e colonias de férias para debeis. Escolas especiaes para tardos (anormaes intellectuaes). São Paulo: Casa Espindola.
WARREN, H.C (1948) Diccionario de psicologia. México: Fondo de Cultura Economica.
XADREZ. A (1896) Noticia, Rio de Janeiro, 29 nov., p.2. Disponível em: <http://hemerotecadigital.bn.br/>.
ZIMMERMANN, E. (1897) Psychologische und physiologische apparate. Liste XV. Leipzig.