O ensino da linguagem escrita no Brasil: entre os limites da precariedade e os desafios da emancipação
Resumen
O presente texto analisa, nas teses da Psicologia Histórico-Cultural, a questão da formação de consciência alienada na política de alfabetização proposta pelo governo brasileiro (2018-2022). Enfatiza-se na relação mecanicista dos procedimentos metodológicos oferecidos para a formação docente e, para o aluno, o esvaziamento de sentido na aprendizagem da língua escrita. O texto partirá da crítica ao modelo educacional vigente, fundamentado na perspectiva psicológica cognitivista (Aprendizagem baseada em evidências científicas), em um segundo momento apresentará a concepção de linguagem escrita na Teoria Histórico-Cultural e por fim abordará a discussão da necessidade de um ensino desenvolvimentista. Ao propor a superação do modelo proposto no Brasil, entendemos que o conceito de humanização por meio da apropriação da linguagem escrita como um sistema complexo de signos advindos de formas mais elaboradas de atividade humana é necessário. Para tanto, revisaremos os autores envolvidos na constituição das relações entre a atividade docente (Vygotsky, Leontiev e Davidov) e a atividade de aprendizagem (Vygotsky, Leontiev, Luria e Davidov) para analisar os documentos produzidos pelo viés neoliberal da atual proposta de ensino da escrita na educação pública. Apontamos as limitações e retrocessos do modelo proposto e indicamos a necessidade de um ensino (ação humana) que qualifique a prática educativa omnilateral.